Vinte e Alguma Coisa

Amor não é a resposta, trabalho também não é.... A verdade é tão incompreensível que dói... Mas eu continuo me divertindo e acho que essa é a chave.. Tenho vinte e poucos e continuarei sendo a mesma coisa....

Direto da Aula de Sociologia

Respostas dos filósofos a uma grande pergunta:

"Por que o sapo não lava o pé?"

Olavo de Carvalho: O sapo não lava o pé. Não lava porque não quer.Ele mora lá na lagoa, não lava o pé porque não quer e ainda culpa o sistema, quando a culpa é da PREGUIÇA. Este tipo de atitude é que infesta o Brasil e o Mundo, um tipo de atitude oriundo de uma complexa conspiração moscovita contra a livre-iniciativa e os valores humanos da educação e da higiene!

Marx: A lavagem do pé, enquanto atividade vital do anfíbio, encontra-se profundamente alterada no panorama capitalista. O sapo, obviamente um proletário, tendo que vender sua força de trabalho para um sistema de produção baseado na detenção da propriedade privada pelas classes dominantes, gasta em atividade produtiva alienada o tempo que deveria ter para si próprio. Em conseqüência, a miséria domina os campos, e o sapo não tem acesso
à própria lagoa, que em tempos imemoriais fazia parte do sistema comum de produção.

Engels: isso mesmo.

Foucault: Em primeiro lugar, creio que deveríamos começar a análise do poder a partir de suas extremidades menos visíveis, a partir dos discursos médicos de saúde, por exemplo. Por que
deveria o sapo lavar o pé? Se analisarmos os hábitos higiênicos e sanitários da Europa no século XII, veremos que os sapos possuíam uma menor preocupação em relação à higiene do pé bemcomo de outras áreas do corpo. Somente com a preocupação burguesa em
relação às disciplinas domesticação do corpo do indivíduo, sem a qual o sistema capitalista jamais seria possível é que surge a preocupação com a lavagem do pé. Portanto, temos o discurso da
lavagem do pé como sinal sintomático da sociedade disciplinar.

Weber: A conduta do sapo só poderá ser compreendida em termos de ação social racional orientada por valores. A crescente racionalização e o desencantamento do mundo provocaram, no pensamento ocidental, uma preocupação excessiva na orientação racional com relação a fins. Eis que, portanto, parece absurdo à maior parte das pessoas o sapo não lavar o pé. Entretanto, é fundamental que seja compreendido que, se o sapo não lava o pé, é porque tal atitude encontra-se perfeitamente coerente com seu sistema valorativo a vida na lagoa.

Nietzsche: Um espírito astucioso e camuflado, um gosto anfíbio pela dissimulação - herança de povos mediterrâneos, certamente - uma incisividade de espírito ainda não encontrada nas mais ermas redondezas de quaisquer lagoas do mundo dito civilizado. Um animal que, livrando-se de qualquer metafísica, e que, aprimorando seu instinto de realidade, com a dolcezza audaciosa já perdida pelo europeu moderno, nega o ato supremo, o ato cuja negação configura a mais nítida e difícil fronteira entre o Sapo e aquele que está por vir, o Além- do-Sapo: a lavagem do pé.

Filmer: Podemos ver que, desde a época de Adão, os sapos têm lavado os pés. Aliás, os seres, em geral, têm lavado os pés à beirada lagoa. Sendo o sapo um descendente do sapo ancestral, é legítimo, obrigatório e salutar que ele lave seus pés todos os dias àbeira do lago ou lagoa. Caso contrário, estará incorrendo duplamente em pecado e infração.

Locke: Em primeiro lugar, faz-se mister refutar a tese de Filmer sobre a lavagem bíblica dos pés. Se fosse assim, eu próprio seria obrigado a lavar meus pés na lagoa, o que, sustento, não é o caso. Cada súdito contrata com o Soberano para proteger sua propriedade, e entendo contido nesse ideal o conceito de liberdade. Se o sapo não quer lavar o pé, o Soberano não pode obrigá-lo, tampouco recriminá-lo pelo chulé. E ainda afirmo: caso o Soberano queira, incorrendo em erro, obrigá-lo, o sapo possuirá legítimo direito de resistência contra esta reconhecida injustiça e opressão.

Kant: O sapo age moralmente, pois, ao deixar de lavar seu pé, nada faz além de agir segundo sua lei moral universal apriorística, que prescreve atitudes consoantes com o que o sujeito cognoscente possa querer que se torne uma ação universal.

Nota de Freud: Kant jamais lavou seus pés.


Freud: Um superego exacerbado pode ser a causa da falta de higiene do sapo. Quando analisava o caso de Dora, há vinte anos, pude perceber alguns dos traços deste problema. De fato, em meus numerosos estudos posteriores, pude constatar que a aversão pela limpeza, do mesmo modo que a obsessão por ela, podem constituir-se num desejo de autopunição. A causa disso encontra-se, sem dúvida, na construção do superego a partir das figuras perdidas dos pais, que antes representavam a fonte de todo conteúdo moral do girino.

Jung: O mito do sapo do deserto, presente no imaginário semita, vem a calhar para a compreensão do fenômeno. O inconsciente coletivo do sapo, em outras épocas desenvolvido, guardou em sua composição mais íntima a idéia da seca, da privação, da necessidade. Por isso, mesmo quando colocado frente a uma lagoa, em época de abundância, o sapo não lava o pé.

Kierkegaard: O sapo lavando o pé ou não, o que importa é a existência.

Hegel: podemos observar na lavagem do pé a manifestação da Dialética. Observando a História, constatamos uma evolução gradativa da ignorância absoluta do sapo em relação à higiene para uma preocupação maior em relação a esta. Ao longo da evolução do Espírito da História, vemos os sapos se aproximando cada vez mais das lagoas, cada vez mais comprando esponjas e sabões. O que falta agora é, tão somente, lavar o pé, coisa que, quando concluída, representará o fim da História e o ápice do progresso.

Comte: O sapo deve lavar o pé, posto que a higiene é imprescindível. A lavagem do pé deve ser submetida a procedimentos científicos universal e atemporalmente válidos. Só assim poder-se-á obter um conhecimento verdadeiro a respeito.

Schopenhauer: O sapo cujo pé vejo lavar é nada mais que uma representação, um fenômeno, oriundo da ilusão fundamental que é o
meu princípio de razão, parte componente do principio individuationis, a que a sabedoria vedanta chamou véu de Maya. A Vontade, que o velho e grande filósofo de Königsberg chamou de Coisa-em si, e que Platão localizava no mundo das idéias, essa força cega que está por trás de qualquer fenômeno, jamais poderá ser capturada por nós, seres individuados, através do princípio da razão, conforme já demonstrado por mim em uma série de trabalhos, entre os quais o que considero o maior livro de filosofia já escrito no passado, no presente e no futuro: O mundo como vontade e representação.


Aristóteles: O [sapo] lava de acordo com sua natureza! Se imitasse, estaria fazendo arte . Como [a arte] é digna somente do homem, é forçoso reconhecer que o sapo lava segundo sua natureza de sapo, passando da potência ao ato. O sapo que não lava o pé é o ser que não consegue realizar [essa] transição da potência ao ato.



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O fio de cabelo branco

Descobri a um mês atrás, um fio de cabelo totalmente branco em minha cabeça.Ele estava disfarçado, e não seria notado facilmente. Parecia até, que queria gozar de uma privacidade ficando oculto entre os demais fios castanhos. Infelizmente, ele não obteve muito sucesso em sua camuflagem, e acabou sendo reveledao por um pente.
Desde esse dia, eu tento finger que ele não está lá, e respeito sua vontade de permanecer oculto. Sempre o arrumo de forma que ele entre por baixo de uma grande quantidades de fios, e ele, agradecido, não deixa seu lugar seguro.
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Sem remorsos

Todo fim-de-semana que termina, traz com ele a sensação de não ter cumprido meus pequeninos objetivos. Esses variam entre fazer as listas de exercícios da faculdade e terminar de ler meus e-mais amontoados na minha caixa de entrada.
A conseqüência desse ato é o remorso. Ele começa a me roer na hora da musiquinha do Fantástico e só termina no fim da aula da segunda.
Mas agora decidi que não dou a mínima para os buracos em minha psique e sobrevivo com eles...
Se até John Nash teve que suportar fantasmas, porque eu não poso?
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Acabei que descobrir que ganhei um novo prêmio! Muito Obrigada Nega!


E repasso para:

Marcela
Mwho
Augusto
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Sobre a dificuldade de percepção e seus reflexos

Esse semestre curso duas disciplinas das humanas: sociologia e ética. Cada uma se diz influenciar nossa futura carreira de uma tal maneira imprescindível. Irão nos orientar nas tomadas de decisões e na forma de 'comunicação' com a sociedade ao noso redor. Não que eu duvide deste nobre proposito, ou não acredite que elas conseguirão atingir seus objetivos. Creio que são mesmo disciplinas fundamentais para nossa formação, já que termos que pensar positivamente ao lançar uma nova tecnologia, de maneira que esta não corrompa a ética e nem corroa a sociedade. Então aceito pacientemente todas as atividades que estas disciplina nos impõe.
Mas ultimamente, tenho sentido dificuldade em me concentrar nos textos vinculados à estas aulas. Tento focar atenção na leitura, leio uma, duas, três vezes; mas, quando atinjo o fim do texto, não me lembro nem do que estava escrito no seu início. Parece que minha mente está bloqueada para esses assuntos, nada fica retido na minha cabeça.
O último texto, ou melhor, o último livro, com todos as suas duas 'longas' partes, causou-me espanto. Ontem, quando terminei sua leitura, percebi que não tinha a menor noção de seu conteúdo principal, nem da forma em que fora escrito e, muito menos, da mensagem que o autor quis transmitir. Terei que fazer uma nova leitura. Logo eu, que sempre tive um certo 'quê' a gabar por ser boa com leituras e interpretações...
Já em outra vertente, meu cérebro anda afiadíssimo em física. Tenho resolvido todas as questões da lista de exercício. E em cálculo, também, já apresento melhoras significativas com as listas. Cheguei ao ponto de enxergar umas tais curvas de níveis em gráficos de três dimensões.
Será que existe a possibilidade de uma mente, antes toda voltada para humanas, após certo período de massacre exato, voltar-se para as ciências exatas? E minhas leituras, como vou fazer para conseguir alcança-la?
Preciso começar um novo exercício de adaptação: estudar matérias não exatas aos fins-de-semanas...
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Toda segunda sofro daquela agonia. Começa fraquinho, com uma pequena dorzinha no peito, tudo bem controlável. Ligo para minha mãe, jogo conversa fora, comento da angustia, e ela passa.
Depois, quando já faz um tempo que estou sentada cuidando dos meus afazeres trabalhista, a agonia volta de novo, outra dor levinha, mas que dessa vez dura mais. E não tenho mais a opção de ligar para casa, devo controla-la sozinha. Tento concentrar na música que sai dos fones, olho em volta da sala, e tudo tá igualzinho, inclusive a dorzinha.
Penso no fim-de-semana, faço alguns planos, embora saiba que não vou cumprir nenhum deles, olho no relógio, ainda é cedo, falta muito para ir embora.
Lembro da faculdade, dos milhares de exercícios que tenho que entregar e que ainda não terminei... Prometo resolve-los durante essa semana, só para controlar minha mente. É mais provável que eu não termine nem a terça parte. Mas minha mente ainda acredita nas minha promessas...
A dorzinha persiste: sinto falta da minha mãe, da minha cama, da vida que eu deixo parada lá em Lagoa Santa. Quero voltar para o fim-de-semana, voltar para aquela rotina mais leve, com conversas, filmes e comidas caseiras. Mas ainda é segunda ferira!
Restam-me 5 dias de convivência com essa agustia chata, que a maioria da pessoas chama de saudade.
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